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M.I.A . - VIVA A INDEPENDÊNCIA DO ALENTEJO!


Alentejanos de Lisboa! Abandonai as vossas ocupações em Lisboa, na Função Pública e em todos os diversos sectores que dominastes com a pujança das cunhas dos vossos compadres e padrinhos e ocupai novamente as férteis planícies alentejanas, isto é, se chover!

Abandonai os subúrbios de Lisboa aos quais vos agarrastes como lapas e regressai às planícies do Alentejo donde nunca deveríeis ter saído! Ocupai novamente os campos, as cidades e as aldeias dessa terra ardente e promissora, isto é se chover!!!

VIVA A INDEPENDÊNCIA DO ALENTEJO!

Viva a separação da região do Alentejo de Portugal, terra que sempre vos foi madrasta, mesmo quando procurastes ocupar completamente a Função Pública enchendo-a de conterrâneos e dos seus filhos, sobrinhos, primos e compadres!

Retirai-vos e aos produtos da vossa terra do alcance da mão rapace dos portugueses, que só querem espoliar a vossa terra do vinho, da cortiça e da bolota para equilibrar a balança de pagamentos ao estrangeiro!



O Alentejo pode ser independente!
Tem autonomia económica! Donde vem a cortiça que é uma da maiores exportações portuguesas? Do Alentejo! Donde vem o azeite e a azeitona? È das oliveiras da vossa terra, o Alentejo! E onde cevam os porcos, as vacas e os rebanhos da lã e da carne mais saudável? É na terra que abandonastes para vir para Lisboa trabalhar na Função Pública, o Alentejo!
E se a agricultura vos falhar, posto que não tendes indústria, a mesma que polui o norte do país, tendes o turismo! Acaso não são apropriadas as imensas planícies do Alentejo para a extensão de inúmeros campos de golfe? Basta que as regueis, e britanicamente a relva brotará com um cheiro inesquecível a salsa e a coentro!

Não passareis fome e subtrair-vos-eis à cobiça das outras regiões de Portugal, que invejam a vossa prosperidade e procuram humilhar-vos inventando anedotas infames em que são vilipendiadas as vossas capacidades de raciocínio e ponderação debaixo do chaparro!!!

O Alentejo tem também diversidade regional, porque existe o Alto Alentejo, o baixo Alentejo e, se estiver na V. imaginação, podereis arranjar também o Alentejo do Meio!!!


Da vossa terra, agora pobre e seca, podereis fazer um Império!

Não vos falta um herói do passado que simbolize as glórias de outros tempos, como o Geraldo sem Pavor, fronteiro de Évora e terror das armas mouras! Também não vos falta arcaico património nas grutas do Escoural!



É a dependência cultural de Portugal que vos refreia o ímpeto autonomista? Mas o Alentejo é a região que actualmente está à frente da produção cultural em Portugal!
Considerai: não é a corrida de touros, a arte tradicional mais intrinsecamente peculiar a Portugal, praticada quase exclusivamente no Alentejo e por alentejanos? Não é o tapete de Arraiolos um tapete do Alentejo? E é por pouco que Barcelos não é no Alentejo!

São os heróis vivos e os grandes homens que vos faltam? Pois fazei voltar às origens aqueles que agora em Lisboa surpreendem pelo seu talento mediano! O Nicolau Breyner, o Janita, o Moita Flores, o Prado Coelho e outras tantas personalidades poderosas que Lisboa não merece e o País deprecia!

Não são os intelectuais que prosperam em Lisboa na sua maioria originários das vossas planícies, os quais surpreendem os espíritos decadentes da Capital com o supremo engenho e a simplicidade primordial das Vossas inovações na Literatura, na Arquitectura e nas Artes Liberais?




Sabeis porque está desconhecido o local de nascimento de Camões? Porque ele nasceu no Alentejo! Este desconhecimento é mais uma negação do vosso espírito superior e um elemento da grande conspiração que pretende diminuir as virtudes imensas da vossa gente, sobretudo na hora da sesta, que era quando o Camões mais estava inspirado.

Não vos faltam cantores como os irmãos Câmara Pereira e os irmãos Salomé e tantos outros, alentejanos da melhor cepa e que os ares de Lisboa ainda não corromperam!


Acaso achais que são poucos? Pois vede que todos dias se publicam obras de poesia e romance em Lisboa, e na crítica nunca deixam de apresentar o seu autor como alentejano, ainda que ele haja nascido nas Beiras ou em Massamá, mas filho de alentejanos!



Lembrai que já residem mais conterrâneos na região de Lisboa que no Alentejo!
Os apelidos relacionados com árvores, plantas e animais como Pinheiro, Rosa, Ramos, Nabais, Matos, Coelho, Pereira e etc, estes apelidos que a imaginação popular acredita serem de Judeus são todos de origem afinal alentejana!

Alentejanos fora de Lisboa: dêem espaço aos que nasceram cá!
Sabeis que a taxa de desemprego entre os alentejanos que vivem em Lisboa é inferior à de qualquer outra categoria regional, e tudo por causa da vossa inclinação para as cunhas?!


No entanto, quase me esquecia: o Alqueva, quando estiver cheia a barragem, irá ter água para matar toda a sede autonomista!

É acaso um desígnio nacional que vos falta, uma inquietação patriótica regional? Pois tendê-la – tratai de procurar resgatar as terras de Olivença ilegalmente administradas por Espanha – tereis guerra para durar, que mais teimosos que vós só os espanhóis!

Separai-vos imediatamente de Portugal e pedi à admissão à U.E. como Estado Membro!
Tendes já um símbolo para a vossa bandeira, a bolota, e para hino podereis escolher alguma das cantigas do Janita Salomé ou as meninas da Ribeira do Sado!

Abandonai as terras de Queluz, Amadora e outras da margem Sul do Tejo até Setúbal onde atrofia o vosso espírito livre e aventureiro habituado aos grandes ares e espaços! Regressai à vossa terra onde medrará novamente em todo o seu vigor o espírito do homem alentejano, que atinge a sua plenitude à hora da sesta enquanto todos os outros trabalham!

Alentejanos! Não vos inquieteis! A chuva, a benção dos céus alentejanos, virá, apenas se vos pede um pouco de paciência, que a tendes muita!

( todos agora ) Viva a autonomia do Alentejo !

VIVA O MOVIMENTO DA AUTONOMIA ALENTEJANA!

( todos ) VIVA O M.I.A.!

Viva Viva!!!


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