VERDE BÁSICO



Maria Elisa D. P. da Silva


Quem ainda não reparou que os nossos verões tornam-se cada vez mais insuportáveis, que o sol queima mais e que o desânimo se espalha como um vírus entre as pessoas que, por alguma razão, são obrigadas a permanecer em Porto Alegre?

Nada disso está acontecendo por acaso. Não pretendo enumerar todos os fatores que estão provocando isso e sim chamar a atenção para aquilo que nós podemos fazer para deixar nossa cidade num "clima" melhor: plante, meu amigo, plante a maior quantidade de verde que puder. Plante nos vasos, plante na terra, ponha orquídeas nas árvores, jogue sementes nos terrenos baldios (nem que seja de cinamomo). Plante nas coberturas, nos JK's, nos condomínios, nas vilas. E se ver alguém cortando, ponha a boca no trombone. Se tiver um celular, ligue para um amigo, para o seu vereador predileto, faça o que puder para impedir.

Você sabia que os moradores da Farrapos (mora gente na Farrapos sim!) sentem calor muito mais intensamente do que os moradores da Gonçalo de Carvalho? Não é só porque a Farrapos é mais baixa, é por que não existem árvores e a luz solar incide diretamente nos prédios e no asfalto, sem nenhum atenuante. A poluição é muito maior e não é só porque na Farrapos há tráfego intenso. Como não existem árvores para o pó se depositar em suas folhas e o solo está impermeável pelo asfaltamento, as partículas que formam a poluição, aquele pozinho asqueroso, ficam em suspensão e vão diretamente aos pulmões dos que moram por ali. Como não há árvores, o escapamento dos carros, o tal CO2, não se transforma no nosso oxigênio vital. Experimente passar a mão nas folhas de uma árvore, numa rua bem movimentada. Imagine para onde iria essa sujeira caso não estivesse sobre a folha. Não conheço nenhum estudo neste sentido, mas aposto que os moradores da Farrapos sofrem de muito mais problemas respiratórios do que os moradores da Gonçalo de Carvalho.

Se a Farrapos fosse arborizada, certamente seus moradores sentiriam uma diferença no nível de ruído. Os alagamentos também diminuiriam, pois de imediato o solo ficaria mais permeável e a água teria para onde escorrer.

O humor da população também melhoraria. Aonde há árvores há sombra e há pássaros. Havendo pássaros, há distração. A população poderia curtir os pássaros em liberdade e até alcançar um estágio superior de evolução cultural, acabando com esse costume bárbaro de manter pássaros engaiolados, cachorros acorrentados e animais de circo.

Comecemos já a trabalhar para tornar Porto Alegre mais agradável!


Ah, Porto Alegre...
Ipanema

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