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PSICOPEDAGOGIA EM PORTUGAL Vs1


TEXTO PUBLICADO NO JORNAL PÚBLICO EM FEVEREIRO DE 1999

Dado o direito de resposta que a Lei da Imprensa determina, solicito a V.Exª. que nos seus termos, seja transcrito o que passo a explicitar, independentemente de qualquer outra acção que possa vir a tomar, dado que o meu nome, além de outros, é explicitamente referido no artigo publicado na v/ edição de ontem.

Transcrever as palavras do Sr. José Manuel Arrobas é um direito que legalmente lhes assiste mas, num Estado de Direito, todas as palavras deverão ser medidas e ponderadas, para que não se transformem numa ‘arma branca’ que alguém em desespero, arremessa com o intuito de ferir outras pessoas.
Ora, tendo em conta a história recente do Curso de Licenciatura em Psicopedagogia Curativa da Universidade Moderna, aliás acompanhado e louvado anteriormente por V.Exª. e pelo v/ jornal, seria bom que, antes de mais, os responsáveis pelo Jornal Público tivessem preocupadamente informado os leitores de quem é esse Sr. José Arrobas (da Silva), com formação académica na área dos recursos humanos, e possuidor, pela componente psicológica desse curso, de estratégias que lhe permitem determinar as premissas da sua actuação, em todos os momentos da vida, e saber qual o melhor momento em que deve aplicá-las para benefício próprio. Contrariamente ao que indica a peça, faz praticamente um ano desde que o referido senhor, após processo desenvolvido pelos orgãos superiores da Universidade Moderna foi destituído do seu cargo. Porquê só agora estas ‘novidades’?...
Tal como esse senhor sabe, a sua destituição do curso de Psicopedagogia Curativa, do qual foi um dos fundadores, deveu-se fundamentalmente às muitas queixas apresentadas pelos alunos, que sentiam estar numa licenciatura onde era ‘tudo ao monte e fé em Deus’, e onde não existiam critérios de avaliação, de leccionação ou mesmo de relacionamento entre o coordenador do curso e o corpo discente. Não se tratou, como o Senhor José Arrobas da Silva indica, uma acção indiscriminada dos responsáveis da Universidade, mas sim da própria Academia, na qual teve um peso fundamental o mal-estar e a revolta dos alunos.
Aliás, o senhor José Arrobas da Silva deveria, caso as coisas tivessem acontecido como indica, ter denunciado o caso às autoridades oficiais o que, como é evidente, nunca aconteceu... Por outro lado, no que concerne às pretensas irregularidades que aponta, todas ocorreram no período durante o qual ele foi coordenador e único responsável pelo curso, inclusivamente no que diz respeito ao número de alunos, o qual, embora com cifras muito diferentes das que ele aponta, foi por ele aceite e defendido publicamente. É lamentável que venha apontar agora esta questão, quando o Ministro da Educação se pronunciou já sobre a regularidade e legalidade do funcionamento da Universidade Moderna, após diversas notícias que, mostrando um desrespeito profundo por alunos, suas famílias, professores e funcionários da Universidade Moderna, possuem logicamente uma ligação àquela que agora publicam sobre este assunto. Esse senhor, mostrou um profundo desrespeito sobretudo pelos alunos que, nas suas palavras, nem sequer vêm assumida a sua qualidade de senhores, chamando-lhes ‘meninos’, quando são todos adultos e podendo muitos deles ser seus pais. Esqueceu-se ainda, possivelmente por possuir objectivos diferentes dos nossos face a este curso, que muitos deles estão aqui com grande esforço, a lutar por uma Licenciatura que, para além de outras qualidades, tem a virtude de formar e informar a população portuguesa sobre a verdadeira realidade do País.
Mas as incongruências não ficam por aqui. Quando diz que ‘o curso está a ser essencialmente leccionado por professores de história’, esquece-se que se refere à minha pessoa, licenciado em História e desde há cinco ano director do único Observatório Psicopedagógico português, que foi ele próprio quem convidou para assumir a docência da cadeira de... HISTÓRIA!...
Mas as pessoas, todas elas, conhecem-se pelos seus actos e pelo sua postura, verticalidade e frontalidade com que encaram as vicissitudes com que se deparam no dia-a-dia. Por isso, numa altura em que a Psicopedagogia Curativa se encontra já afirmada no contexto sócio-educativo Nacional, com reconhecimento internacional e apoios que lhe garantem o assumir de um papel de verdadeira intervenção na nossa sociedade, resta apelar à comunicação social e aos seus leitores, para que se tenha consciência daquilo que se faz, e das intenções que enformam certos discursos. No que diz respeito ao senhor José Arrobas da Silva, facilmente se percebe que o ódio que lhe transpira do coração não pode afectar o esforço, a dedicação e, sobretudo, os resultados, que os Psicopedagogos da Universidade Moderna têm conseguido atingir e que o próprio Jornal Público tem divulgado, e que passam pela criação de diversos observatórios de campo em diversas partes do País; pelos estágios curriculares que se desenvolvem em hospitais civis, hospitais psiquiátricos, centros de saúde, escolas, prisões, centros de dia, lares da terceira idade, creches e instituições relacionadas com a área e que, no corrente ano, atingem o surpreendente número de oitocentos... os livros editados com resultados de investigações exaustivas; os seminários e congressos realizados; os muitos convidados que de diversas academias de todo o Mundo vieram falar e trocar informações com professores e alunos desta Licenciatura; os protocolos com universidades europeias e americanas; os programas de Erasmus que têm, desde a saída do senhor em questão, permitido a permuta de alunos; e os muitos projectos pioneiros em Portugal que os Psicopedagogos da Universidade Moderna têm vindo a desenvolver. Todo este esforço, pelo menos, merece respeito!
Portugal viveu até há cerca de 25 anos uma guerra de guerrilha, a pior de todos os tipos de guerra existentes à superfície da Terra porque ela se desenrola com base nas artimanhas fornecidas pelos rudimentos da psicologia e nas influências das palavras para provocar destabilização e, como tal, um campo mais propício ao desenrolar das respectivas acções no teatro de operações. Espero que o Sr. José Arrobas da Silva e o Jornal Público (como faziam alguns órgãos da informação da época...) não estejam a utilizar o mesmo sistema a que o 25 de Abril pôs termo.
Acreditando que a ‘Voz do povo é a voz de Deus’ poderia ficar-me no ditado: ‘Os cães ladram e a caravana passa’, no entanto, como o caso se enforma no desrespeito profundo pelo trabalho e pela vida de centenas de pessoas e seus familiares, é bom que se descarte e se mostre a face invisível e maléfica que poderá estar por detrás de todas as palavras que o Jornal Público foi induzido a transcrever no artigo de Andreia Sanches, quando esse senhor, sentindo-se lesado poderia ter recorrido à Lei, como sucede num Estado de Direito, em vez de vir lavar para a rua a SUA roupa suja.

Sem mais de momento, subscrevo-me

Atentamente

Dr. João Aníbal Henriques
(Coordenador-Adjunto)


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